Dossiê ilustrado · Prime Aviation / Prime You · registro de comércio, registro de imóveis, RAB e acervo do STF
Prime You, o andar de cima.
Uma empresa de Alphaville vende frações de jatos, helicópteros, iates e ilhas. Cada bem mora numa sociedade que nasce com cem reais e um número, e que troca de nome quando o bem chega. Este dossiê mostra a máquina, os nomes que ela usou, o que ela guarda em Angra dos Reis e onde ela encosta no caso Banco Master. Cada fato aponta para o documento.
Em uma frase: a Prime You é a camada de titularidade dos bens de luxo de gente que prefere não aparecer como dona deles, e um dos clientes dessa camada era o controlador do Banco Master. A frase é dura, mas a primeira metade é a própria empresa quem diz, ao se apresentar à Polícia Federal: ela "lidera o mercado como a mais expressiva e diversificada operação de compartilhamento de ativos da América do Sul", com "mais de 45 Sociedades de Propósito Específico constituídas e geridas". A segunda metade também está nos autos: a Viking Participações, holding pessoal de Daniel Vorcaro, é "cotista da PS-MAS Administração de Bens Próprios S.A., uma das mais de quarenta S.P.E.s indicadas como clientes da Prime You, e proprietária de um Helicóptero". Quem escreveu isso foi o advogado da Prime You, em novembro de 2025, dias depois da primeira fase da Operação Compliance Zero.
O resto deste dossiê é o que os registros públicos acrescentam a essas duas frases. E é bastante.
PrequelDe onde veio o dinheiro da Banvox, e quem ficou de fora
Antes de haver uma execução de R$ 470 milhões batendo à porta das SPEs da Prime You, houve uma holding, sete emissões de debêntures e um investidor que a Polícia Federal chama de "sócio oculto" do Banco Master. Este prequel conta essa história pelos registros, e termina com uma surpresa: o investidor famoso não está na emissão que quebrou.
A Banvox Holding Financeira foi constituída em setembro de 2020 por Daniel Vorcaro e Maurício Antônio Quadrado, com Artur Martins de Figueiredo eleito diretor dias depois. Entre 2020 e 2024 ela emitiu sete séries de debêntures, quase todas com o mesmo destino declarado: pôr capital no banco que a holding controlava em parte. O agente fiduciário, a partir do segundo semestre de 2022, foi a Trustee DTVM, a mesma que administra os fundos do capítulo 6. As atas de assembleia de debenturistas de 1º de outubro de 2024, arquivadas na Junta, dizem quem estava do outro lado do balcão. provado
Repare nas cores. Três das quatro grandes emissões, algo como R$ 1,6 bilhão em valor nominal, foram compradas pela órbita de Nelson Tanure: pelo Estocolmo FIM, fundo em que a Aventti tinha posição, e pela própria Aventti, uma sociedade de responsabilidade limitada inglesa cujos membros são Tanure e uma holding portuguesa, cujo caixa está num trust nas Bahamas e cujas contas de 2024, públicas no registro britânico, trazem a linha "Banvox: US$ 101 milhões". A defesa de Tanure, numa petição de junho de 2026, trata "a relação de debêntures não conversíveis em ações adquiridas pelo fundo Estocolmo FIM da Banvox Holding" como fato público; a PF diz que ele "usa o Fundo Estocolmo para operações associadas ao Banco Master e à Banvox", e o relator, na decisão que autorizou o bloqueio de bens em outubro de 2025, assentou Tanure como "sócio oculto" do banco, mandando bloquear "no mesmo volume" de Vorcaro. provado quanto às debêntures; alegação quanto ao "sócio oculto", que a defesa contesta, apontando inclusive uma confusão da PF entre duas empresas de nome parecido, uma da família Vorcaro e outra de Tanure.
E agora a surpresa. A emissão que quebrou, a 6ª, é a única que não tem a cor amarela. Os R$ 400 milhões de abril de 2024 foram subscritos, "na proporção de 50% cada um", pela Rezende Barbosa S.A. Administração e Participações e por alguém que a decisão do TJSP chama apenas de "Sr. Roberto". É também a única com fiança pessoal dos três diretores e a única com amortização parcelada, o que explica por que só ela virou execução quando as parcelas de março e abril de 2025 não foram pagas. Tanure, a Aventti, o Estocolmo: nenhum deles aparece nela. provado
Quem é o Sr. Roberto, a decisão não diz. Os autos do STF oferecem uma pista, e só uma pista. A representação da Polícia Federal de fevereiro de 2026 registra uma mensagem de 5 de abril de 2024, o dia exato da escritura da 6ª emissão, em que um servidor do Banco Central avisa que "Roberto (Roberto Rezende de Barbosa) deixou o Banco (Voiter)" e que "a negociação foi concluída em tempo recorde", e fala em parabenizar "um dos banqueiros por se tornar dono de outra instituição financeira". O Voiter, antigo Banco Indusval, passou ao conglomerado do Master e, em agosto de 2025, a Augusto Ferreira Lima, o terceiro fiador. Sobrenome igual, data igual. E a base pública da Receita fecha o sobrenome: a Rezende Barbosa S.A. Administração e Participações, a exequente, é uma holding de 1966 com R$ 80 milhões de capital cujo presidente, desde 2001, é Roberto de Rezende Barbosa, do grupo sucroalcooleiro Nova América. Já o Voiter, sob o nome de Banco Pleno, aparece hoje na mesma base "em liquidação extrajudicial". A leitura de que a 6ª emissão foi o papel com que o grupo pagou o vendedor de um banco, com dinheiro "destinado" a capitalizar o banco comprador, é uma hipótese: para prová-la faltam o boletim de subscrição, que está nos autos do TJSP, e o ato do Banco Central sobre o Voiter. inferência
O que o prequel muda na leitura do capítulo 5: as SPEs de luxo da Prime You responderam, em 2025, por uma emissão de que o investidor mais famoso do caso não participou. As emissões de que ele participou foram cedidas a outra holding em outubro de 2024 e, até onde os registros mostram, não têm execução.
Do outro lado do balcão: a Lormont. Há um segundo veículo que o registro de comércio expõe e que amarra os três fios deste dossiê. A Lormont Participações, holding fechada de São Paulo cujas acionistas são um fundo e uma limitada da órbita de Tanure, foi transformada em sociedade anônima em agosto de 2021 e teve, de 17 de agosto de 2021 a 29 de janeiro de 2025, dois diretores: Artur Martins de Figueiredo, presidente, e Luís Fernando de Almeida. São os mesmos dois nomes que presidem as assembleias de debenturistas da Banvox e administram a Trustee. Pela Lormont, Tanure captou em série: uma primeira emissão de debêntures de R$ 171 milhões em novembro de 2021, garantida pela Aventti, que refinanciava uma dívida pessoal dele com o BTG; uma segunda, de R$ 453 milhões, em abril de 2022, para comprar o controle da rede de diagnósticos Alliar; e uma nota comercial de R$ 2,037 bilhões em março de 2023, com o Credit Suisse, na mesma semana em que o banco suíço ruía, tendo Tanure como avalista. O capital social saltou de R$ 10 mil para R$ 449 milhões em 28 meses. provado
Quem comprou as notas da Lormont é o que fecha o círculo, e está nas carteiras públicas da CVM. O maior credor é o Astralo 95, um fundo multimercado que o liquidante do Master, na ação da Flórida, diz ter recebido cerca de R$ 2 bilhões do banco entre 2021 e 2023: ele carregava 520 notas da Lormont, R$ 351 milhões em janeiro de 2026, e por três meses, de janeiro a março de 2025, carregou 2.080, o equivalente a R$ 1,19 bilhão. Um fundo administrado pela corretora do Master carregou notas da Lormont classificadas, curiosamente, como "títulos ligados ao agronegócio". Os fundos Esna e Kyra, os mesmos do caso Ambipar, tiveram posições pequenas. E um fundo chamado Osaka registrou R$ 425 milhões em notas da Lormont em setembro de 2025 e zero em outubro, o mês anterior à liquidação. provado quanto às carteiras; inferência quanto ao que o sumiço significa.
A Entre Investimentos, do interlúdio, entra por aqui: em 31 de dezembro de 2024 ela pagou R$ 244 milhões de dividendos à sua sócia única, a empresa de Freixo, e R$ 219,3 milhões desse valor foram pagos não em dinheiro, mas com uma nota comercial da 9ª emissão da Lormont. Ou seja, um papel de dívida de Tanure saiu da Entre para o patrimônio pessoal de Freixo. Como a Entre tinha esse papel, o registro não diz. provado
E uma segunda casca, chamada Letônia. A ficha de outra sociedade, lida por último, fecha um detalhe que parecia erro de digitação. Num aditamento de 2025 das debêntures do grupo Tanure, a Lormont aparece chamada de "Letônia Participações". Não é erro: a Letônia existe. Nasceu em 1º de novembro de 2024 como SF 879 Participações Societárias S.A., uma prateleira com R$ 40 de capital; em 17 de janeiro de 2025 uma assembleia trocou o nome para Letônia Participações, mudou a sede para a Faria Lima e elegeu dois diretores, Artur Martins de Figueiredo e Luís Fernando de Almeida; três dias depois o capital subiu para R$ 9,9 milhões e, no dia seguinte, a companhia emitiu R$ 40 milhões em debêntures conversíveis. Em 10 de abril de 2025 os dois foram destituídos e entrou, como diretor único, o mesmo Silvio Barreto da Silva que assumira a Lormont em janeiro. É a máquina do capítulo 1, agora do lado de Tanure: casca numerada, batismo e capital na mesma semana, e a mesma dupla no comando até a troca de guarda de 2025. A casca, aliás, veio de uma fábrica: a base da Receita lista 263 sociedades "SF" numeradas, de "SF Fifteen" a "SF 8xx", constituídas desde 2015 com capital simbólico, 151 delas com o mesmo diretor de origem; a Finlândia Participações, de Figueiredo e Almeida, nasceu no mesmo dia e do mesmo lote que a Letônia, com R$ 40. provado
Capítulo 1A máquina, em quatro tempos
Toda sociedade do grupo nasce igual, e a Junta Comercial guarda a certidão de nascimento de cada uma. O nome é FRACTION seguido de um número de três dígitos e da expressão "Administração de Bem Próprio S.A.". O capital é de cem ou cento e um reais. A companhia é fechada, o que em português quer dizer: não publica quem são os acionistas. Ela não tem bem, não tem valor e não tem nome que a ligue a ninguém. É uma casca numerada.
Quando o bem chega, acontece uma assembleia. Numa única ata, três coisas: o dinheiro que já estava dentro da companhia como "adiantamento para futuro aumento de capital", o AFAC do jargão, vira capital; o capital salta de cento e um reais para milhões ou centenas de milhões; e a companhia troca de nome, passando a se chamar como o bem. Se é um avião, o nome novo é a matrícula pintada na fuselagem: PT-XGS, PS-MGG, PP-NYM. Se é um barco, o nome do barco: Solar, Sapphire 62. Se é uma casa, a cidade: Real Estate Duo 002 Angra dos Reis. Isso foi lido em 24 atas, com data, e a mais antiga é de 2018.
A consequência não é um acidente do modelo; é o modelo. Ao fim do ciclo, o jato está registrado em nome de uma companhia cujo nome não remete a pessoa alguma, cujo capital não revela origem, porque veio de um adiantamento cujo autor não se declara, e cujos donos não constam de base pública nenhuma. Para nomear o primeiro acionista de uma SPE do grupo foi preciso pedir à Junta o inteiro teor de um boletim de subscrição de 2014.
Regra de leitura número um deste dossiê: quando um documento público diz "proprietária: Fraction 053", ele está dizendo a verdade e não está dizendo nada. O nome é o andar de baixo. O dono mora no andar de cima.
Capítulo 2A ilha de Angra, ou o registro que ficou para trás
Comece pelo documento que abriu esta leitura: a certidão da matrícula 10.707-A do 1º Ofício de Angra dos Reis, emitida em 27 de janeiro de 2026. O imóvel é a "projeção geométrica nº 5-B do Condomínio Ilha do Jorge", no 2º Distrito do município: 23,5 metros de frente para o mar, 1.266 m² de uso exclusivo mais 1.018 m² de área comum, uma fração ideal de 0,6535% de uma ilha de 76 mil metros quadrados. Terreno de marinha, inscrição de ocupação na Secretaria do Patrimônio da União, laudêmio a pagar a cada transmissão. É uma casa de praia numa ilha particular.
O registro R.09 é o que interessa. Em 9 de agosto de 2022, a PrimeAviation 2 Participações S.A., sociedade anônima fechada, sede em Alphaville, comprou a projeção 5-B por R$ 2,5 milhões, "integralmente pagos". A mesma matrícula guarda um detalhe que a leitura apressada perde: a escritura anterior, de 2016, pela qual o vendedor havia adquirido o mesmo imóvel, declarava R$ 50 mil, e só foi levada a registro em maio de 2022, três meses antes da revenda por cinquenta vezes mais. Não há nada de ilegal em vender caro o que se comprou barato, e o laudêmio e o ITBI foram pagos sobre o valor cheio. Mas é o tipo de salto que um leitor de matrícula anota.
A ata que autorizou a compra também é pública. Em 29 de julho de 2022, às dez da manhã, a assembleia da PrimeAviation 2 aprovou "por unanimidade e sem reservas" a aquisição. Mesa: Marcus Vinicius da Mata, presidente, e Artur Martins de Figueiredo, secretário. Acionista presente, e único: Entre Investimentos e Participações Ltda. Guarde esse nome. Ele volta no capítulo 4 e no capítulo 7.
Seis meses depois, em 16 de janeiro de 2023, a mesma companhia, a mesma mesa e o mesmo único acionista aprovaram uma compra bem maior: os direitos de ocupação e as benfeitorias da Ilha Cunhambebe Mirim, também na Baía da Ribeira, 26.700 m², por R$ 45 milhões em três parcelas. Uma ilha inteira, pequena, comprada por uma sociedade cujo nome era um número.
E aqui a máquina do capítulo 1 mostra o seu efeito colateral mais concreto. Em 22 de setembro de 2025, a PrimeAviation 2 trocou de nome para Domus Realty Participações S.A. A Junta registrou. O cartório de Angra não foi avisado, ou não foi até janeiro de 2026: a certidão ainda traz a proprietária como "PrimeAviation 2". Quem procurar no registro de imóveis por "Domus Realty" não acha a casa. Quem procurar por "PrimeAviation 2" acha a casa de uma empresa que, com esse nome, não existe mais. Para um credor, para um juiz que queira bloquear o bem, para uma CPI, isso é uma semana de trabalho a mais, e às vezes é a diferença entre achar e não achar.
Há mais Angra no grupo. Três outras sociedades carregam a cidade no nome: Real Estate Duo 002 Angra dos Reis (ex-Fraction 008, rebatizada em abril de 2020), Real Estate Duo 004 Angra dos Reis (ex-Fraction 014, janeiro de 2021) e Real Estate Solar Island 005 Angra dos Reis (ex-Fraction 035, abril de 2025). Que imóveis são esses, a Junta não diz; as matrículas dirão, quando alguém as pedir. E há um depoimento, nos autos do STF, que fala de uma "casa nº 4 situada na Ilha do Jorge" atribuída a Vorcaro. A projeção 5-B confronta pela esquerda com a "área 04". São unidades vizinhas, não a mesma; o depoimento é de testemunha e não foi confirmado por documento. Fica registrado com essa etiqueta. alegação
Capítulo 3A árvore de nomes
Trinta e duas fichas cadastrais foram lidas na Junta Comercial. Cada ficha traz o nome de constituição na primeira página e, mais adiante, a fórmula que denuncia a troca: "alteração do nome empresarial para X, conforme A.G.E. datada de". Somadas, elas montam a árvore abaixo: um tronco, a Prime You, e quatro galhos, um por classe de bem.
A tabela abaixo é a árvore posta em linha, com a data de cada batismo. Repare em três coisas. Primeira: a prática é antiga, a primeira troca é de 1º de julho de 2018. Segunda: em 22 de setembro de 2025 três companhias trocaram de nome na mesma assembleia, e o que sumiu do registro naquele dia foi uma marca, "PrimeAviation". Terceira: a numeração "PrimeAviation 1, 2, 3" foi usada duas vezes, em 2012 e de novo em 2024, sobre companhias diferentes. Quem rastreia por nome funde empresas distintas; só o NIRE separa.
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| Nasceu como | Virou | Data da A.G.E. | O bem (RAB / ficha) |
|---|---|---|---|
| Fraction 007 | Zhou | 01.07.2018 | a primeira renomeação do grupo |
| Fraction 010 | Real Estate Duo 001 Guarujá | 30.04.2019 | imóvel; ações penhoradas em 2025 (cap. 5) |
| Fraction 011 | PT-XGS | 23.09.2019 | Learjet 60; mesma ata aprova crédito no Banco Máxima (cap. 5) |
| Fraction 008 · 014 | Real Estate Duo 002 · 004 Angra dos Reis | 23.04.2020 · 22.01.2021 | imóveis em Angra |
| Fraction 009 | PP-NYM | 20.03.2020 | Eurocopter EC 155 B1 |
| Fraction 015 | PT-PVH | 11.06.2021 | Phenom 300; o avião dos voos de campanha de 2022 (cap. 7) |
| Fraction 027 | PS-MAS | 26.07.2022 | EC 155 B1; a Viking é cotista, diz a Prime You |
| Fraction 040 | PrimeAviation 3 → Sea Ocean | 18.04.2024 → 22.09.2025 | segunda geração do nome |
| Fraction 044 | PrimeAviation 4 → DF & Range | 02.04.2024 → 23.03.2026 | dona do carro apreendido; renomeada 3 dias após a liminar (cap. 8) |
| Fraction 043 | PS-FMV | 11.09.2024 | Gulfstream G550; saiu da SPE em 27.03.2026 |
| Fraction 042 | PS-MGG | 30.09.2024 | Gulfstream G700; matrícula cancelada em 20.06.2025 |
| Fraction 030 · 031 | Sapphire 62 · Solar | 18.10.2024 · 29.11.2024 | iates |
| Fraction 016 | PrimeAviation 1 → Avionyx | 15.04.2025 → 22.09.2025 | segunda geração do nome |
| Fraction 035 | Real Estate Solar Island 005 Angra | 16.04.2025 | imóvel em Angra |
| Fraction 053 | PT-PCT | 15.10.2025 | EC 155 B1; a "F53" da dação (cap. 7) |
| PrimeAviation 2 (2012) | Domus Realty | 22.09.2025 | Ilha do Jorge, Cunhambebe; acionista da PS-MGG |
| Prime Aviation Participações (2008) | Prime You Participações | — | a holding; o nome antigo segue nas carteiras da CVM até 2026 |
Capítulo 4Quem é dono: a cadeia acionária, enfim nomeada
Sociedade fechada não publica acionista, mas publica ata de aumento de capital, e a ata diz quem subscreveu. Foi por aí. Nove documentos em inteiro teor, pedidos à Junta, respondem à pergunta que nenhuma base pública responde.
Leia a coluna da esquerda de baixo para cima. O G700, avião de 500 milhões de reais, pertence à PS-MGG. A PS-MGG teve seu capital subscrito pela PrimeAviation 2, hoje Domus Realty, a mesma dona da casa da Ilha do Jorge. E a Domus teve seu capital subscrito pela Entre Investimentos, representada por Antonio Carlos Freixo Junior, a "acionista presente" das duas atas de Angra. A camada imobiliária e a camada aeronáutica não são paralelas: uma é sócia da outra. E a Entre Investimentos, como se verá no capítulo 7, está na lista de cem nomes cujo sigilo bancário o STF mandou afastar.
Na coluna do meio, a holding. Os autos registram, pela boca da própria Prime You, que "a Prime Aviation tem como sócios Marcus Matta e o fundo Patrimonial Blue". O Patrimonial Blue é um fundo de investimento em participações administrado pela Trustee DTVM, e as carteiras mensais que ele declara à CVM mostram ação ordinária da Prime Aviation Participações desde junho de 2019. Ou seja: o sócio do presidente é um fundo, e o fundo é administrado pela instituição que reaparece em todos os capítulos seguintes.
Na coluna da direita, o único cotista de SPE que a Prime You nomeou espontaneamente: a Viking, de Vorcaro, na PS-MAS. Com um detalhe que o RAB acrescenta e a petição não: o helicóptero que a PS-MAS opera tem como proprietária registral uma pessoa jurídica estrangeira, a SFG Aircraft, Inc. A SPE brasileira aparece só como operadora. Titularidade econômica e titularidade registral, aqui, não coincidem. inferência sobre o que isso significa; provado quanto ao que cada registro diz.
InterlúdioA Entre, que antes se chamava Arya
Na coluna da esquerda do desenho do capítulo 4 há um nome que o leitor viu passar sem parar: Entre Investimentos e Participações. É a única acionista presente nas duas atas de Angra, é quem subscreveu R$ 81,36 milhões de capital na PrimeAviation 2 em agosto de 2024, e é, por essa via, a avó do Gulfstream G700. Vale um interlúdio, porque a Entre tem uma biografia própria, e ela cruza o caso Banco Master por três portas diferentes.
O nome. A Entre foi constituída na Junta de São Paulo em 26 de março de 2018 como Arya Investimentos e Participações, com R$ 10 mil de capital, dois sócios, uma holding com R$ 9.999 e uma pessoa física com uma única cota de R$ 1, e Freixo como administrador. Em julho de 2018 a Cactus, empresa de Freixo, entrou no lugar do sócio de um real; em 5 de abril de 2019 o nome mudou para Entre Investimentos e Participações e o capital foi a R$ 1 milhão; em maio de 2020 a holding saiu e a Cactus ficou sozinha. O sócio de um real reaparece, sete anos depois, na mesma lista de cem nomes com sigilo bancário afastado do capítulo 7.
A holding de R$ 9.999. Ela se chama FG Participações S.A. e sua ficha, lida por último, empurra a origem da Entre dois anos para trás e para dentro de outra órbita. A FG foi constituída em 15 de março de 2016 tendo como diretor Benjamim Botelho de Almeida, que a decisão de janeiro de 2026 na PET 15.198 descreve como "proprietário e controlador da Foco DTVM (atualmente Sefer Investimentos)", a mesma Sefer do Nazaré FIP e do fundo das Bahamas. De julho de 2016 a julho de 2018 a FG foi dirigida por quatro pessoas, entre elas o sócio de um real, que hoje respondem, ao lado de Benjamim, da família Vorcaro, da Sefer, da Viking e da Milo, a uma ação penal por crimes contra o sistema financeiro na 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo, cujos autos foram enviados ao STF em fevereiro de 2026. Em 31 de julho de 2018, o mesmo dia em que a Cactus entrou na Arya, Freixo assumiu a presidência da FG; deixou-a em janeiro de 2020 para um administrador do grupo Sefer, e quatro meses depois a FG saiu da Entre. Em outras palavras: a Entre nasceu, em 2018, como filha de uma holding da órbita Sefer, dois anos antes de a CVM abrir o processo do Brazil Realty e sete antes de a Junta registrar seus bens como indisponíveis. provado quanto às fichas e aos autos; a ação penal é alegação em curso, sem sentença conhecida. A troca de nome também se vê de fora, pelo truque do capítulo 3: o Nazaré FIP declarou à CVM, em 2019 e 2020, posições de "AFAC Arya" e "crédito Arya" sob o CNPJ que hoje é da Entre, e em 2023, sob o mesmo CNPJ, "valores a receber" da "Entre Investimentos". O administrador do Nazaré era a Sefer DTVM, a mesma que reaparece no epílogo representando um fundo das Bahamas. A ficha ainda registra que a Entre fez, em julho de 2025, sua 25ª emissão de notas comerciais, de R$ 100 milhões, e que desde maio de 2026 carrega a expressão "pendência administrativa": o Banco Central, ao liquidar a Entrepay, a Acqio e a Octa, declarou indisponíveis os bens dos controladores, entre eles a própria Entre Investimentos, a Cactus e Freixo. A acionista da Domus Realty, dona da casa de Angra, é hoje uma empresa de bens indisponíveis. provado
Primeira porta: a Prime You. Já se contou. A Entre, representada por Freixo, subscreveu 180,8 milhões de ações da PrimeAviation 2 a R$ 0,45 em 14 de agosto de 2024, "mediante recursos previamente aportados perante a Companhia", ou seja, por AFAC; na mesma assembleia, como acionista "representando a totalidade das ações", ratificou três emissões de notas comerciais de 2023. Um ano e dois meses depois, a PrimeAviation 2, já Domus Realty, subscreveu R$ 542,4 milhões na PS-MGG. provado
Segunda porta: o Banco Master. Aqui há três documentos de naturezas distintas. O primeiro é um parecer técnico da CVM, juntado pela PF aos autos, num processo sancionador sobre a 3ª emissão do fundo imobiliário Brazil Realty: a área técnica descreve a Entre como "uma espécie de 'câmara de liquidação'" que fez 177 operações entre novembro de 2018 e março de 2020, comprando R$ 350,7 milhões em cotas e vendendo R$ 358,4 milhões, ao lado do então Banco Máxima, da Viking e da Milo Investimentos, da família Vorcaro. Segundo a imprensa, o Colegiado julgou o caso em 8 de setembro de 2026 e aplicou multas: R$ 10 milhões à Entre, R$ 5 milhões a Freixo, R$ 20 milhões a Daniel e a Henrique Vorcaro, R$ 12,5 milhões ao Master. O segundo documento é uma carteira: um fundo administrado pela corretora do Master carregou, de fevereiro a novembro de 2024, entre R$ 65 e R$ 71 milhões em notas comerciais da Entre. O terceiro é um despacho do relator no STF registrando que o Banco Central apontou, no conglomerado da Entrepay, "negociação de valores mobiliários sem lastro suficiente", "indução do BCB a erro", "artifícios contábeis" e "desvio de recursos" que "guardam conexão com os ilícitos" da Operação Compliance Zero. A Entrepay foi liquidada pelo Banco Central em 27 de março de 2026. provado quanto aos documentos; a condenação da CVM é alegação de imprensa até que o acórdão seja publicado.
Terceira porta: os autos. Freixo e a Entre estão na lista das cem pessoas com sigilo bancário afastado; ele e a diretora jurídica do grupo foram alvos da busca e apreensão de janeiro de 2026; e, segundo a imprensa, ele fechou acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República em 3 de setembro de 2026, homologado pelo relator seis dias depois. Do conteúdo desse acordo só se conhece o que jornais publicaram, e por isso ele não é usado aqui. Nos autos públicos, as peças de Freixo são pedidos de acesso. A Entre e a PrimeAviation 2 nunca aparecem juntas em nenhuma decisão: a ligação entre elas existe só na Junta Comercial. provado quanto ao que está nos autos; o acordo, alegação.
A quarta porta, que talvez não seja porta. Em 9 de abril de 2026 o liquidante do Master intimou, na Flórida, uma "Arya Investments LLC". O nome é o mesmo com que a Entre nasceu. O registro estadual mostra uma sociedade de Nevada, constituída em 2022, sem dizer quem a administra; "Arya" é nome comum, e há sociedades assim no Texas, na Flórida e em Nevada. Fica registrado como o que é: uma coincidência de nome que alguém, um dia, vai conferir. inferência, fraca.
Capítulo 5O circuito: o banco financia o grupo, o grupo capitaliza o banco
Este é o capítulo em que o dossiê deixa de ser sobre uma empresa de jatos e passa a ser sobre o caso Banco Master. Dois documentos, separados por cinco anos, formam as duas pontas de um mesmo circuito.
A ponta de 2019 é modesta e por isso mesmo eloquente. Em 23 de setembro daquele ano, a assembleia da então Fraction 011 aprovou "a contratação de operação de crédito rotativo no limite de R$ 2.850.000,00 junto ao Banco Máxima S/A", e na mesma ata rebatizou a companhia como PT-XGS, nome do Learjet que ela passava a deter. Três semanas depois, em 14 de outubro, o Banco Central autorizou a transferência do controle do Máxima a Daniel Vorcaro. O Máxima virou Master. É a relação financeira mais antiga já documentada entre o grupo e o banco, e antecede em seis anos tudo o que a imprensa cobriu. Se o crédito foi sacado e com que garantia, o registro não diz. provado quanto às datas; o resto, aberto.
A ponta de 2024 é grande. Em 5 de abril, a Banvox Holding Financeira emitiu 400 debêntures de um milhão de reais cada, com a Trustee DTVM como agente fiduciário e fiança solidária de Daniel Vorcaro, Maurício Antônio Quadrado e Augusto Ferreira Lima. A cláusula 3.2.1 da escritura, tal como a decisão judicial a transcreve, diz que os recursos "foram destinados para a capitalização da instituição financeira Banco Master S.A., da qual os Executados pessoas físicas são diretores". As parcelas de março e abril de 2025 não foram pagas. Veio o vencimento antecipado, a execução de R$ 470,5 milhões, o arresto de dez imóveis e a penhora de participações societárias. Entre elas: 6.674.100 ações de Quadrado na Real Estate Duo 001 Guarujá, uma SPE da Prime You. Foi a primeira vez que um acionista de SPE do grupo apareceu nomeado num documento público.
O desenho é este: a Banvox, dirigida por Figueiredo e Quadrado, os mesmos que dirigem a Trustee Holding, capta R$ 400 milhões para pôr capital no Master; a Trustee, que administra os fundos que carregam as SPEs, é a fiduciária da emissão; os fiadores são o controlador do banco e dois nomes que estão dentro das SPEs; e quando a operação quebra, o estoque de bens de luxo é o que responde. Um ano depois, em março de 2026, a Master S/A Corretora, empresa do próprio grupo do banco, obteve liminar de protesto contra alienação sobre a PS-MGG, a Domus Realty e o Botanique. O banco em liquidação, agora, litiga contra o patrimônio que ajudou a formar.
Emitir debêntures para capitalizar um banco é lícito. Inadimplir é um problema civil, não penal. O que a decisão de abril de 2025 prova não é crime: é que os dois grupos são um só circuito, e que ele foi documentado em juízo. A afirmação de que os três fiadores eram diretores do Master vem da petição inicial, recitada pelo juízo; não é conclusão judicial.
Há outros vetores menores, checáveis: o helicóptero da PT-MCP foi comprado em 2013 com um empréstimo do BTG Pactual "com recursos advindos do programa BNDES FINAME", de até R$ 5,65 milhões, dinheiro de programa público de bens de capital num ativo de propriedade compartilhada; a PS-FMV, com R$ 6,87 milhões de capital, autorizou em dezembro de 2024 um empréstimo de até R$ 90,2 milhões, com variação cambial, junto ao Bradesco Global Private Bank; a Sapphire 62 registra crédito bancário "para financiar a aquisição de uma embarcação modelo Azimut 62". Tudo em ata.
Capítulo 6Os fundos: um circuito que se administra, se gere e se possui
As carteiras que os fundos brasileiros declaram mensalmente à CVM são públicas, e nelas o nome do emissor aparece como o fundo o escreveu naquele mês. Foi assim, aliás, que se descobriu que "Planner Holding Financeira II" e "Trustee Holding Financeira" são a mesma companhia. Onze fundos carregam ativos do perímetro. Dez são administrados pela Trustee DTVM; um, pela Master S/A CTVM. Os gestores se repetem: Blue Solutions e MAM Asset.
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| Fundo | Administrador | O que carrega do perímetro | Posição máxima |
|---|---|---|---|
| Rockets FIP | Trustee DTVM | Fraction 032 (ação preferencial; a SPE presidida por Quadrado) | R$ 268,3 mi |
| Borgonha FIM CP | Trustee DTVM | Rockets FIP; CCB da Prime Aviation Participações | R$ 219,3 mi |
| Máxima FIM CP 2 | Master S/A CTVM | nota comercial da Entre I. P. | R$ 71,3 mi |
| Sharks FIP | Trustee DTVM | Fraction 032; Fraction 024 (o PP-NLR); Real Estate Duo 004 Angra | R$ 62,4 mi |
| Albali · Kyoto · Topázio · Jaguar · Brindisi | Trustee DTVM | Rockets; Trustee Holding; Fraction 032; Road Tecnologia | até R$ 54,0 mi |
| Patrimonial Blue FIP | Trustee DTVM | Prime Aviation Participações, ação ordinária, desde 06/2019 | R$ 16,8 mi |
| Nazaré FIP | Sefer DTVM | Entre Investimentos ("Arya", nome anterior) | R$ 30,0 mi |
Os cotistas desses fundos são, em boa parte, outros fundos do mesmo administrador. E os informes diários de cota, também públicos, mostram o que aconteceu com esse circuito depois do colapso do banco: em 25 de maio de 2026 a cota do Albali caiu 67,1% num dia, num fundo cuja oscilação típica era de um décimo por cento; em 1º de julho o Borgonha caiu 23,3%; em 21 de julho o Máxima FIM CP 2, administrado pela corretora do Master, caiu 34,8%. Em 30 de junho, 55% da carteira do Rockets estava num único emissor, a Fraction 032. Remarcação é o nome técnico. Em português: o valor declarado não resistiu. É o mais perto de uma medida de perda que se consegue sem balanço. provado quanto aos números; inferência quanto à causa.
Capítulo 7O que os autos do STF dizem, com página
O acervo público do STF tem 189 mil páginas e a Prime You aparece nelas de sete maneiras. Nenhuma é uma acusação formal contra a empresa. Todas são úteis.
1. A empresa se apresenta. Em 26 de novembro de 2025, a Prime Aviation Participações e Serviços, "conhecida no mercado por seu nome comercial Prime You", peticionou ao delegado da Polícia Federal para se colocar à disposição. Explicou seus dois modelos de negócio, propriedade compartilhada e gestão de ativos, disse ter "mais de 45" SPEs e admitiu a conexão que a trazia ali: a Viking, de Vorcaro, é cotista de uma SPE sua. Em março de 2026, voltou para dizer que não "empresta" seu nome a ninguém e que não fora questionada desde então. provado (INQ 5026, seq 2, p. 116 e 117; seq 545, p. 1 a 3; seq 582).
2. A PF acha um carro. Um relatório de diligência de 18 de novembro de 2025 registra que um Range Rover apreendido estava em nome da PrimeAviation 4 Participações S.A., que "consta como proprietário da Prime You, no QSA da Receita Federal". A PrimeAviation 4 é a ex-Fraction 044 e virou DF & Range em março de 2026. provado (INQ 5026, seq 5, p. 717).
3. O jato e o helicóptero que iam pagar advogado. Um relatório da PF na PET 16662 descreve um "Termo de Acordo e Dação em Pagamento" de 19 de maio de 2025, pelo qual a Viking quitaria R$ 40 milhões de um contrato de R$ 50 milhões com um escritório de advocacia entregando "direitos e ações" de duas SPEs: a "F24", dona do Legacy 650 PP-NLR, e a "F53", que a PF identifica como a PT-PCT Administração de Bem Próprio. O escritório declarou publicamente que o contrato nunca foi assinado. A ficha da Junta acrescenta o que ninguém tinha notado: na data da oferta, a F53 tinha R$ 101 de capital; foi capitalizada em 15 de outubro de 2025 e o helicóptero só entrou nela em 25 de novembro. O que se oferecia em pagamento era a casca. provado quanto aos documentos (PET 16662, seq 7, p. 161; seq 9, p. 1; ficha NIRE 35.300.644.085; RAB).
4. Uma testemunha fala. Num depoimento juntado à PET 15562, uma testemunha afirma que "a empresa PRIME YOU pertence de fato a DANIEL VORCARO, mas estaria em nome do 'laranja' MARCUS MATTA", e que Vorcaro "é o proprietário da casa nº 4 situada na Ilha do Jorge em Angra dos Reis". É a frase mais citada sobre a empresa e a menos provada: é o que uma pessoa disse à polícia, sem documento que a confirme nos autos. alegação (PET 15562, seq 54, p. 114).
5. Os cem nomes. Na PET 15198 há um ofício bancário de janeiro de 2026 listando as 100 pessoas e entidades cujo sigilo bancário foi afastado, de outubro de 2020 a outubro de 2025. Nove tocam este dossiê. Uma leitura honesta precisa mostrar as duas colunas.
Estão na lista
- Artur Martins de Figueiredo, diretor da Banvox e da Trustee Holding, secretário das atas de Angra
- Antonio Carlos Freixo Junior e a Entre Investimentos, acionista da Domus Realty
- Flávio Daniel Aguetoni, que assumiu a presidência da PS-FMV em 2026
- Daniel Bueno Vorcaro e a Viking Participações
- Maurício Antônio Quadrado, fiador e acionista da Real Estate Duo 001
- outro administrador da Trustee DTVM e a Entre Payments
Não estão
- Marcus Vinicius da Mata, presidente do grupo
- a Prime You Participações e a Prime Aviation Táxi Aéreo
- nenhuma das 42 Fractions, nenhuma "PX-XXX", nenhuma Real Estate, nenhuma Cars Duo
O afastamento alcançou o anel financeiro e o anel Freixo do perímetro. Não alcançou o presidente nem a estrutura operacional. Isso é coerente com a versão da própria empresa, e desaconselha atalhos.
Fonte: PET 15198, seq 432 (ofício de 20.01.2026 em resposta ao Ofício eletrônico 27654/2026). Augusto Ferreira Lima, terceiro fiador das debêntures, aparece nos autos como coinvestigado, com depoimento marcado para 27.01.2026, o mesmo dia do de Vorcaro (INQ 5026, seq 104, p. 2; PET 15562, seq 8, p. 11 e 12).
6. Duas CPIs querem saber quem voou. A CPI do Crime Organizado aprovou, em 11 de março de 2026, o Requerimento 205, à ANAC, pedindo "beneficiários finais vinculados à aeronave de prefixo PP-NLR e à empresa Prime Aviation Participações", e o Requerimento 206, à própria Prime You, pedindo a identificação dos passageiros do Legacy 650 desde 1º de janeiro de 2025. A CPMI do INSS pediu aos sócios da Prime Aviation Táxi Aéreo, nomeados como Artur Martins de Figueiredo, Rodolfo Garcia da Costa e Marcus Vinicius da Mata, todos os voos, passageiros e cotistas do mesmo avião desde 2015, além dos contratos "que fundamentaram a utilização da aeronave pelos Srs. Daniel Bueno Vorcaro, Sandra Habib ou empresas do grupo Prime You/Fractions". Requerimentos anteriores já haviam pedido as listas do G700 (PS-MGG) e do Falcon 7X (PS-FST, este da Viking, fora da estrutura de SPE) para, nas palavras dos autos, "mapear a rede de influência do grupo". A Prime You pediu ao ministro Gilmar Mendes a anulação da quebra de sigilo determinada pela CPI. provado (INQ 5026, seq 543, p. 16; seq 547, p. 5; PET 15556, seq 247, p. 9; PET 15198, seq 460, p. 5).
7. Um deputado conta de outro deputado. Uma petição do deputado Henrique Vieira, de março de 2026, noticia ao STF que o deputado Nikolas Ferreira teria usado, em pelo menos duas ocasiões em outubro de 2022, o Phenom 300 de prefixo PT-PVH, "pertencente à empresa Prime You, da qual Daniel Vorcaro era sócio", em deslocamentos de campanha, sem declaração ao TSE. A mesma petição afirma que a Prime You "detinha o jato, a mansão de Vorcaro em Brasília e outros bens" e "foi dissolvida em setembro de 2025, dois meses antes da liquidação do Banco Master". Aqui um cuidado: "dissolvida" é palavra da petição. O registro mostra outra coisa, mais precisa: a Prime You não foi dissolvida; em setembro de 2025 o que mudou foi o nome de três holdings e, segundo a imprensa, a saída de Vorcaro do quadro de sócios. alegação quanto aos voos e ao sócio; provado quanto ao que a Junta registra (PET 15556, seq 190, p. 2, 4 e 5; ficha NIRE 35.300.560.108).
E há o pano de fundo que os autos guardam por meio de recortes de imprensa juntados pela PF: o Botanique Hotel & Spa, em Campos do Jordão, cuja S.A. tem Marcus Vinicius da Mata na diretoria, "estaria sendo oferecido por cerca de R$ 150 milhões"; e "a mais vistosa das aeronaves usadas antes da prisão pelo dono do Banco Master, o Gulfstream G700, está à venda com desconto de mais de R$ 100 milhões" (PET 15504, seq 46, p. 253; PET 15556, seq 1, p. 153). O G700 é a PS-MGG. A matrícula brasileira foi cancelada em 20 de junho de 2025. Para onde ele foi, o registro brasileiro não diz; a imprensa diz (capítulo 9), e o liquidante do banco foi atrás.
Capítulo 8A janela: dez meses em que tudo trocou de lugar
Ponha as datas em coluna e a cronologia conta sozinha. Não se afirma intenção; afirma-se sequência. provado quanto às datas.
- 29.08.2025Artur Martins de Figueiredo renuncia, na mesma data, às diretorias da PS-MGG e da PS-FMV.
- set/2025Segundo a própria empresa, à imprensa, Vorcaro e Quadrado vendem suas participações à companhia.
- 22.09.2025PrimeAviation 1, 2 e 3 trocam de nome na mesma assembleia: Avionyx, Domus Realty, Sea Ocean. A marca some do registro.
- 29.09.2025O Stern FIP, gerido pela REAG Jus, entra como sócio da Viking, uma semana depois.
- 14 e 15.10.2025PS-MGG capitaliza R$ 542,4 milhões por AFAC; Fraction 053 vira PT-PCT e capitaliza R$ 30,99 milhões.
- 17 e 18.11.2025Operação Compliance Zero: prisão de Vorcaro. A PF acha o carro da PrimeAviation 4. A Prime You se habilita nos autos oito dias depois.
- 25.11.2025O helicóptero EC 155 entra na PT-PCT.
- 17.12.2025Acionistas da PS-MGG autorizam, "de forma irrevogável e irretratável", a alienação do G700.
- 20.03.2026Liminar da Master S/A CTVM: protesto contra alienação averbado na PS-MGG, na Domus e no Botanique.
- 23.03.2026Três dias depois, a PrimeAviation 4 vira DF & Range; Mata deixa a presidência dela (reeleito em maio).
- 27.03.2026O Gulfstream G550 sai da PS-FMV para terceiros. No mesmo dia, publica-se com dois anos de atraso a ata que criara o nome "PrimeAviation 4".
- 04.06.2026O Legacy 650 PP-NLR, o avião das CPIs, é transferido no RAB para a Fraction 024, um ano depois do termo de dação.
- 17.06 e 31.07.2026Mata é destituído da PS-FMV; Flávio Aguetoni, administrador da Trustee, da Banvox e da MAM, assume a presidência.
Capítulo 9Ao lado: os casos em que a Prime You aparece sem ser o assunto
A empresa raramente é a manchete. Ela é a linha de baixo da manchete: o nome no registro do avião, o nome na matrícula da casa. Esta seção recolhe os episódios noticiados em que isso aconteceu, separando o que está nos autos do STF do que está só na imprensa.
Uma advertência antes: tudo neste capítulo que vem da imprensa está marcado como alegação, mesmo quando o jornal atribui o dado a relatório da Polícia Federal. O que este dossiê consegue fazer é cruzar cada notícia com o registro: dizer que sociedade é aquela, quando nasceu, como se chamava antes e quem a dirige.
A casa de Angra e o senador
Em setembro de 2026, o site ICL Notícias publicou que o senador Flávio Bolsonaro comemorou, em fevereiro daquele ano, o aniversário da filha caçula numa mansão de frente para o mar em Angra dos Reis, com sete suítes, heliponto e píer, "gerida pela Prime You". Segundo a reportagem, o imóvel está formalizado na Real Estate Duo 004 Angra dos Reis Administração de Bens Próprios S.A., dividido em quatro cotas, e um dos cotistas, desde 2022, seria uma empresa do advogado Willer Tomaz, amigo do senador; outra cota estaria com um fundo ligado a Maurício Quadrado. O advogado respondeu que o uso da casa se deu "exclusivamente em razão da relação de amizade", sem pagamento, e negou vínculo de Vorcaro com o imóvel. A assessoria do senador, Quadrado e o presidente da Prime You não responderam. alegação
O que o registro acrescenta: a Real Estate Duo 004 Angra existe, é a ex-Fraction 014, foi rebatizada com o nome da cidade em 22 de janeiro de 2021 e aparece na carteira do Sharks FIP, fundo administrado pela Trustee DTVM, ao lado da Fraction 032 (a SPE presidida por Quadrado) e da Fraction 024 (o PP-NLR). É a máquina do capítulo 1, aplicada a uma casa. A matrícula lida neste dossiê, a projeção 5-B da Ilha do Jorge, é de outra unidade e de outra sociedade do grupo, a Domus Realty; a reportagem situa a mansão no condomínio da mesma ilha. Se são vizinhas, o cartório de Angra dirá. provado quanto à sociedade; o resto, imprensa.
O avião e o helicóptero do ministro
Em abril de 2026, a Folha de S.Paulo e o Metrópoles publicaram, com base em registros da ANAC e do DECEA, que o ministro Dias Toffoli entrou no terminal executivo de Brasília em 4 de julho de 2025, dez minutos antes de o PR-SAD, "operado pela Prime Aviation", decolar para Marília, sua cidade; e que o mesmo avião fizera Rio, Brasília e Marília em 21 de março de 2025, quando um tribunal destacara seguranças "para autoridade do STF" naquela cidade. Em setembro de 2026, matérias sobre um relatório da PF reproduziram mensagens de março de 2024 em que o ex-ministro Fábio Faria diz a Vorcaro que Toffoli marcara um almoço na fazenda e pergunta se pode usar um helicóptero "da Prime"; a resposta atribuída a Vorcaro é "Já pede na Prime, irmão" e "Eu tenho na Prime um heli só meu". O ministro não comentou os voos; sobre o relatório, o gabinete disse que ele "nunca manteve ou teve recursos no exterior". Fábio Faria disse nunca ter tratado de processos com ministros. A Prime respondeu que, "por questões de confidencialidade dos contratos", não divulga usuários. alegação
O que o registro acrescenta: o PR-SAD é um Phenom 300 cuja sociedade nasceu em 2012 como PrimeAviation 3, primeira geração, e foi rebatizada com o prefixo em 9 de janeiro de 2014; o operador é a Prime Aviation Táxi Aéreo. Nenhuma reportagem identificou o prefixo do helicóptero de 2024; o grupo tem quatro EC 155 B1 e um AS 350, e um deles, o da PS-MAS, é justamente o que a Prime You liga à Viking nos autos. Não se sabe se o voo do almoço aconteceu. Nos autos do STF, o que há sobre Toffoli e a Prime You é indireto: a CPI do Crime Organizado convocou dois parentes do ministro e o relator afastou a obrigação de comparecerem, em decisão de 26 de fevereiro de 2026 (INQ 5026, seq 376). provado quanto ao registro e aos autos.
O contrato de R$ 50 milhões e "estamos gostando muito do jatinho"
O termo de dação do capítulo 7 ganhou contexto na imprensa em setembro de 2026: segundo reportagens baseadas em relatório da PF, o contrato de R$ 50 milhões entre o escritório Barci de Moraes e a Viking é de 12 de maio de 2025, o advogado Leonardo Palhares teria estruturado a proposta de quitar R$ 40 milhões com cotas do PP-NLR e do PT-PCT, e em 16 de julho de 2025 alguém da Prime You teria perguntado à sócia do escritório se estavam "gostando da utilização das cotas", com resposta afirmativa. O ministro Alexandre de Moraes chamou a matéria de "fantasiosa" e as ilações de "absolutamente falsas"; o escritório disse ter contratado serviços de táxi aéreo de vários operadores, "entre eles a Prime You", e repetiu que "nada foi assinado". alegação O registro, lembre-se, mostra que em julho de 2025 a PT-PCT tinha R$ 101 de capital e nenhum helicóptero. provado
Quem mais voou
O Metrópoles contou 161 decolagens de jatos da Prime You saindo de Brasília entre 2023 e setembro de 2025, uma a cada seis dias. Entre os episódios noticiados: o deputado Nikolas Ferreira e um pastor na caravana de campanha de outubro de 2022, no PT-PVH ("Nem sabia quem era o cara", disse o deputado); um voo coletivo Brasília–São Paulo em 28 de agosto de 2025 com Vorcaro e cinco políticos; um voo a Maceió em 14 de novembro de 2025, três dias antes da prisão, com o casal Nunes Marques a bordo, presença confirmada pelo gabinete. E um caso que corrige o excesso: o Estadão noticiou que o ministro Gilmar Mendes voara num avião operado pela Prime You em fevereiro de 2025; a empresa confirmou a viagem, explicou que a cota era de um empresário sem relação com Vorcaro, e o jornal corrigiu a atribuição. Serve de lembrete: quarenta e tantas SPEs, cada uma com até quatro cotistas, são muitos donos; nem todo avião da Prime é "o jato de Vorcaro". alegação
Os sócios que saíram e o avião que sumiu
À imprensa, a Prime You disse que Vorcaro e Quadrado foram sócios até o início de setembro de 2025 e "venderam suas participações para a própria companhia"; o site ICL data a entrada de Vorcaro em setembro de 2021, e outra matéria afirma que Nelson Tanure foi sócio até 2023. Sobre o G700: comprado em junho de 2025 por R$ 538 milhões, primeiro do modelo no Brasil, matrícula PS-MGG, registro americano N739G; posto à venda em fevereiro de 2026 por cerca de US$ 80 milhões, com o último sinal em Basel; depois vendido a uma empresa de táxi aéreo de San Marino, com bloqueio de R$ 280 milhões obtido pelo liquidante do Master, e um acordo num tribunal de falências da Flórida para que a fabricante entregue os documentos do financiamento. Como o avião estava em nome da SPE e não de Vorcaro, não foi bloqueado no primeiro momento. alegação O registro confirma a moldura: a SPE nasceu com R$ 101, foi capitalizada em R$ 542,4 milhões por AFAC um mês antes da prisão, autorizou a venda um mês depois dela, e a matrícula brasileira já estava cancelada desde junho de 2025. provado
EpílogoA caçada: Flórida, Bahamas e uma "Prime You LLC"
Um banco liquidado no Brasil não tem braços fora do país. Para tê-los, o liquidante precisa que um juiz estrangeiro o reconheça. É o que aconteceu em três atos, e os três estão em documentos públicos: dois num tribunal de falências da Flórida e um numa petição que o próprio BRB levou ao STF.
Primeiro ato, Brasília. Em 18 de novembro de 2025 o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial e tornou indisponíveis os bens de dezesseis pessoas e empresas ligadas ao banco. Maurício Quadrado, o mesmo que preside a Fraction 032 e tem ações na Real Estate Duo 001 Guarujá, está na lista. Artur Figueiredo, o secretário das atas de Angra, não está. Nenhuma SPE está. provado
Segundo ato, Flórida. Em 10 de dezembro o liquidante pediu a um tribunal de falências de Fort Lauderdale que reconhecesse a liquidação brasileira. Vorcaro, como "parte interessada", objetou: o reconhecimento seria prematuro porque a liquidação era "contestada no Brasil", numa referência a um processo no Tribunal de Contas da União que o próprio tribunal americano manteve sob sigilo. O juiz Scott Grossman reconheceu a liquidação em 8 de janeiro de 2026 e deu ao liquidante o direito de intimar quem quisesse sem pedir nova ordem. Vorcaro tentou limitar as intimações; em abril o juiz manteve 24 das 28 primeiras, num texto que vale a leitura: exigir prova de desvio antes de investigar "põe a carroça na frente dos bois". Vorcaro recorreu; em 19 de maio um juiz federal negou o recurso. Enquanto isso, o liquidante processou o pai e a irmã de Vorcaro, Henrique Vorcaro e Natalia Vorcaro Zettel, pela mansão de Windermere, perto de Orlando, comprada por US$ 32 milhões em fevereiro de 2023 por uma empresa dos dois, "recorde para casa unifamiliar na Flórida Central"; o pedido soma R$ 494 milhões e ainda não foi julgado. provado quanto ao que os autos dizem; alegação quanto ao desvio.
Foi nessas intimações que apareceram os nomes que interessam a este dossiê. Em 15 de junho de 2026 o liquidante intimou uma Prime You LLC, sociedade americana; em 14 de julho, a fabricante Gulfstream, sobre o financiamento do G700; antes disso, Jetcraft, Flexjet e o serviço de títulos aeronáuticos da FAA; e, em 9 de abril, uma Arya Investments LLC. Arya, o leitor do interlúdio já sabe, era o nome com que a Entre Investimentos nasceu na Junta. A LLC é de Nevada, constituída em 2022; se tem algo a ver com a Entre, ou se é só um nome bonito repetido, nem os autos nem o registro dizem. provado quanto às intimações; homonímia inferência, e fraca.
Terceiro ato, Bahamas. Em 26 de maio de 2026 a Suprema Corte das Bahamas reconheceu o liquidante como representante de cinco entidades do grupo. A decisão está no acervo do STF porque o BRB, que diz ter comprado cotas de dois fundos do Master nas Bahamas antes da liquidação, a anexou a uma petição de junho. E ela lista nove veículos locais em que o conglomerado tinha interesses. Três deles têm sobrenome conhecido deste dossiê: um fundo chamado PMLS, ligado à corretora Planner e do qual Quadrado era beneficiário final ao menos em 2023; o Faex Fund, que era representado no Brasil pela Trustee e passou, nove dias depois da liquidação, a outra distribuidora; e um fundo Phoenix, homônimo do Phoenix FIP brasileiro, que a Trustee administra e cujo beneficiário final, segundo a CVM, é Nelson Tanure. Há ainda a Mosaic Financial, corretora das Bahamas que um relatório de inteligência financeira estrangeira, juntado aos autos, associa a oito comunicações de operação suspeita e a US$ 26 milhões enviados a Vorcaro de uma empresa dos Emirados entre setembro e novembro de 2025. provado quanto aos documentos; alegação quanto ao conteúdo das comunicações.
O anel que estrutura as SPEs da Prime You, Planner, Trustee, Quadrado, é o mesmo que aparece nas Bahamas com três dos nove veículos do banco. E a Aventti de Tanure, do prequel, guarda o caixa no mesmo trust bahamense que administra o Faex. Não é prova de nada. É o mesmo endereço aparecendo pela terceira vez.
O que ainda não se sabe: o que exatamente se pediu à Prime You LLC e à Gulfstream (as intimações não estão no arquivo público, só no sistema pago do tribunal); se o "R$ 1,4 bilhão bloqueado" da imprensa tem lastro em decisão; e o que o juiz fará do pedido de rejeição da ação contra a família, pendente desde julho.
Capítulo 10O contrapeso, que tem de constar de qualquer leitura
- O afastamento de sigilo não alcançou o presidente nem nenhuma SPE. Alcançou Figueiredo, Freixo, a Entre Investimentos, Aguetoni, Vorcaro, Quadrado e a Viking. Não alcançou Marcus Vinicius da Mata, nem a Prime You, nem a Prime Aviation Táxi Aéreo, nem uma única Fraction.
- A Prime You se apresentou espontaneamente à Polícia Federal, declarou-se à disposição, disse ser administradora de SPEs de terceiros e afirma não ter sido questionada desde então.
- A frase do "laranja" é depoimento de testemunha, não conclusão de autoridade. Nenhuma decisão nos autos a adota.
- Emissão privada de debêntures para capitalizar banco é operação lícita. O que há nos autos do TJSP é inadimplemento e execução, não fraude declarada. A afirmação de que os fiadores eram diretores do Master é da petição inicial.
- Propriedade compartilhada é modelo de negócio legítimo, e SPE por ativo é o padrão da aviação executiva e da náutica no mundo inteiro. Renomear uma companhia é ato lícito e cotidiano.
- O escritório de advocacia da dação afirma que o contrato nunca foi assinado.
- Os dois particulares que aparecem na matrícula de Angra antes de 2022 não têm relação com o caso e por isso não são nomeados.
O que decidiria a questão, e ainda não existe em documento público: quem adiantou os AFAC que viraram centenas de milhões de capital (balanços das SPEs; escritura completa da 6ª emissão); quem são os cotistas das 86 sociedades (livros de registro de ações); se a CCB do Máxima de 2019 foi sacada; quem voou no PP-NLR, no PS-MGG e no PS-FST (ANAC e as CPIs); para onde foi o G700 de número de série 87039 (registros aeronáuticos estrangeiros); e se os três fiadores eram, de fato, diretores do banco (Banco Central).
AnexoFontes, método e limites
Registro de comércio. 32 fichas cadastrais completas da JUCESP (gratuitas para usuário cadastrado, uma por NIRE) e 9 documentos em inteiro teor (atas e boletins, tarifados). A ficha traz o nome de constituição e cada "alteração do nome empresarial", com a data da assembleia. O inteiro teor traz quem subscreveu capital.
Registro de imóveis. Certidão de inteiro teor da matrícula 10.707-A, 1º Ofício de Angra dos Reis, 27.01.2026, assinada digitalmente.
Registro aeronáutico. Consulta pública ao RAB/ANAC por prefixo, 17.09.2026: proprietário, operador, situação, data da última transferência.
Receita Federal e CVM. Dados abertos do CNPJ (quadro societário atual, que só mostra a administração de uma S.A. fechada, nunca os acionistas) e informes de carteira e de cota de fundos (2019 a 08/2026). A Receita guarda só o nome atual de cada empresa; foi cruzando o CNPJ com fontes que datam o nome (carteiras de fundos, autos, registro de imóveis) que as renomeações apareceram.
Acervo do STF. As 189 mil páginas da Pet 15.556 e conexos, tornadas públicas em 11.09.2026, lidas por busca lexical; cada citação traz processo, número sequencial e página, no mesmo padrão do resto deste site.
O que não se fez. Não se leu balanço de SPE (não é público). Não se consultou registro aeronáutico estrangeiro. Não se ouviu a empresa nem as pessoas citadas; o contraditório que consta é o que elas mesmas puseram nos autos. Nenhum dado pessoal (CPF, RG, endereço com número, telefone) foi transcrito, mesmo quando consta dos documentos.
Este dossiê segue a mesma política de avisos e direitos do site: opinião assinada como opinião, fato com fonte, nenhuma imputação. Erros de leitura podem ser reportados pelo repositório.